Ações de tapa-buraco, expectativa na Saúde e cortes na Educação: o primeiro mês em análise

 

Roberto Naves convocou a imprensa para fazer um balanço na última terça-feira, no mesmo dia em que A Voz de Anápolis foi às ruas da cidade para saber da população qual a impressão de chegada neste primeiro mês

Paulo Roberto Belém

Anápolis vive a semana pós-encerramento do primeiro mês de gestão do prefeito Roberto Naves. Pode ser pouco tempo, mas como a cidade é dinâmica, é um intervalo que precisa ser avaliado. Por isso, a matéria especial desta edição do jornal A Voz de Anápolis vai retratar justamente o período. Afinal, qual a avaliação que se pode fazer de Anápolis com a troca do comando da Prefeitura?

Para tal, dois cenários foram analisados. De um lado, o da Prefeitura, protagonizada pelo prefeito. Do outro lado, a população, neste caso, representada pelos milhares de anapolinos e visitantes. Prefeito e população representam as duas pontas deste processo. Eles vivem Anápolis diariamente, mas com um diferencial: um tem o papel, consolidado pelo decreto das urnas, de gerir a cidade e o outro a simples consequência de assumir as ações executadas pela gestão.

Prefeitura

Assim como o jornal A Voz de Anápolis, o prefeito Roberto Naves teve a intenção de fazer o balanço da Prefeitura passado o primeiro mês de sua gestão. Ele convocou a imprensa anapolina na última terça-feira, 31, com o intuito de apresentar a real situação da administração com foco no que ele assumiu em dívidas acumuladas. Segundo ele, R$ 75 milhões vêm de 2016 e devem ser quitados e curto prazo. Ao longo dos quatro anos de sua gestão, ele afirma que terá de pagar um valor aproximado de R$ 200 milhões.

O principal ponto defendido por Naves foi ter honrado com o pagamento dos servidores ativos e inativos dentro do mês trabalhado. Esta foi a primeira folha quitada das 52 que estão sob sua responsabilidade. “Quitar a folha era algo improvável e que poucos acreditavam”, disse o prefeito, demonstrando estar preocupado com o mês de fevereiro que têm menos dias úteis de trabalho, que resultam em menor arrecadação. “Possivelmente vai ser um dos meses mais difíceis dos próximos quatro anos”, revelou.

Cortes

O prefeito trabalha com cortes para tornar a Prefeitura viável, porque de acordo com ele, hoje a situação é de déficit. Para sanar a situação, está em processo o enxugamento da máquina pública com a redução do aluguel de imóveis, aluguel de maquinários e a reorganização da estrutura organizacional, que influencia no número de servidores comissionados.

Por outro lado, o prefeito disse estar buscando oportunidades de recursos e investimentos. “Temos que reduzir a despesa e pensar a médio e longo prazo em aumentar a receita”, afirmou. Roberto Naves também disse que até poderá tomar medidas amargas, mas que até então isto não foi preciso. Chamando a atenção à necessidade de união, ele destacou acreditar no trabalho da sua equipe técnica para dar os resultados positivos para a cidade. “Temos que ter sabedoria e muita responsabilidade para fazer qualquer tipo de ação”, apontou.

Quando começa?

De concreto mesmo, realizado neste primeiro mês de gestão, a Prefeitura destacou a operação emergencial em execução, focada na revitalização de ruas, principalmente com o serviço de tapa-buracos, limpeza de áreas, sinalização de trânsito e reforço da limpeza urbana da cidade.

Ainda na entrevista coletiva, a reportagem de A Voz de Anápolis questionou diretamente ao prefeito, considerando este processo de reorganização defendido pelo gestor, sobre quando, de fato, os projetos pessoais de campanha do petebista serão iniciados e qual, de todos os apontados em seu plano de governo, será o prioritário.

Segundo Naves, o seu primeiro projeto está pronto e será o Centro Pediátrico 24 horas. “O projeto arquitetônico está finalizado e ele deve funcionar, realmente, no espaço do Cais Mulher. Vamos ter o Centro Pediátrico 24 horas funcionando ainda neste semestre”, enfatizou.

População

Muitos anapolinos não têm a oportunidade de convocar uma coletiva de imprensa, mas o Jornal A Voz de Anápolis possibilita a melhor ferramenta para que eles tenham, literalmente, voz na cidade. Voltamos com as nossas enquetes e, desta vez, a pergunta foi clara e objetiva: de acordo com o que você viu e ouviu, qual a avaliação que você faz do primeiro mês da gestão Roberto Naves?

A enquete misturou anapolinos de vários perfis e foi realizada no mesmo dia em que o prefeito Roberto Naves fez o seu balanço da gestão. Acompanhe o que cada um disse:

Adriane Nogueira Mendes – Pós-graduanda

“Pelo o que eu tenho visto, avalio que mudou. Mas bem pouco. Trabalho no Daia e vi certa diferença quando se trata de sinalização e limpeza, principalmente da Avenida Brasil. O que eu estou sentindo falta é não presença dos trabalhadores nos viadutos, pontos de ônibus, enfim, nas obras de mobilidade”.

Gerasmo da Costa Pereira – Moto-taxista

“No momento, até agora, está sendo bom porque eu ouvi dizer que em 90 dias ele arrumaria a casa e percebo que a cidade está começando a melhorar. Pelo menos a questão dos buracos da cidade está sendo atendida. Mas que ele não se esqueça das áreas da saúde e da segurança”.

Ingridy Gomes da Silva – Assistente administrativa

“Até por agora faço uma avaliação boa. Mas sempre tem que melhorar. Se ele fizer e eu ficar sabendo de ações concretas na saúde e na educação, vou avaliar melhor, se for o caso”.

Janciele de Souza Ramos – Do lar

“Avalio que ele não trabalhou muito não. A área da Saúde ainda está muito complicada. Precisei de atendimento pediátrico para o meu pequeno durante todo o mês de janeiro e fui informada de que para conseguiria alguma coisa só em semanas. Se ele mudar a saúde, eu terei outra resposta”.

Jorge Antônio da Silva – Autônomo

“Pelo o que eu vi aí, acho que ele começou um bom trabalho. Porque ele fez uns tapa-buracos e permaneceu com a coleta de lixo que é boa. Acho que isso é resultado da administração dele”.

Kelly Pereira – Do lar

“Vou avaliar de forma negativa porque minha filha estuda na rede municipal de ensino e nesse ano os alunos não terão doados os materiais escolares. É uma pena. O uniforme eu reutilizei do irmãozinho mais velho dela pra você ter noção”.

Magda de Oliveira Castilho – Comerciante

“Avalio que ele está atendendo só o que vem sendo pedido. Por enquanto, é só isso que posso dizer. Não vi nada muito relevante. Os buracos, no caso, é só passar na televisão que logo resolvem. Mas na minha região, tapam um e deixam outros. Espero que a Prefeitura chegue no meu bairro. Mas olha, ele tem que dar atenção à saúde para que as pessoas sejam agradadas. Mudar esta prática do empurra-empurra em busca de atendimento já seria um bom começo”.

Marilene Melo da Silveira – Professora

“Acho que é pouco tempo para avaliar a administração, mas o que vi foi a roçagem no central parque porque moro aqui do lado, um aumento do trabalho contra a dengue e o projeto de tapa buracos. Espero que sejam resolvidos logo os problemas como a falta de medicamentos e que voltem as obras no central parque para que seja concluído o quanto antes”.

Maura Felipe Lisboa – Aposentada

“Para mim eu acho que está boa, mas a minha esperança é que continue melhorando de acordo com o tempo, principalmente na Saúde”.

Nádia Ragazzo – Psicóloga e comerciante

“A avaliação que eu faço é que para a minha região eu não vi muita diferença ainda. Na verdade eu não vi diferença nenhuma. A maior dificuldade que temos são os buracos nas ruas que com as chuvas aumentam. Mas nos bairros próximos a mim eu vejo que estão fazendo algo. Fora isto, é só o que vejo na televisão”.

Naragelva Carla da Silva – Operadora de caixa

“Avalio que o que ele começou agora: operação tapa-buracos, por exemplo, era o que precisava ser feito primeiro. Mas espero que seja dado andamento na questão da melhoria da segurança com a guarda municipal. Este tema deve ser outra prioridade. Estou com muitas expectativas, mas ele tem que dar resposta. Que ele resolva os problemas da cidade, independente se foram deixados por gestões passadas”.

Nicole Cristina de Faria Nascimento – Estudante

“O que o povo fala e eu percebo é a questão da manutenção das vias. Melhorou da seguinte forma: onde tinham dois buracos, estes se uniram e se tornaram um, ironicamente falando. Por isso, não vi diferença nenhuma até agora. Mas espero coisas boas com o tempo, ainda mais por ele ter dito ser o novo”.

Rafael Lopes Cardoso – Sorveteiro

“Olha, por enquanto, a minha avaliação é de que ele não fez nada. Não vi nenhuma mudança. Está tudo do jeito que estava. Os viadutos, por exemplo, estão do mesmo jeito”.

Saulo Borges Batista – Aposentado

“O tempo dele foi pouco pra ser analisado, mas eu creio que ele deve fazer uma boa gestão. Pelo menos eu recebi meu salário hoje, pois sou aposentado pela Prefeitura. Vamos dar um tempo maior pra ele fazer outras coisas”.

Tatiana Gomes – Vendedora

“Avalio que este governo ainda passa pelo processo de transição e enquanto ele não arrumar a casa, ele está reconhecendo o espaço. Vendo, de fato, o que foi deixado de bom ou ruim pelo outro prefeito”.

Thiago Pires – Estudante

“É muito recente para avaliar, mas por enquanto foi positiva, apesar de estar culpando muito a gestão passada. Mas não dá para fazer nem uma análise superficial porque um mês é pouco. Fica a impressão que há potencial para melhorar as condições da cidade e a incerteza do real empenho nessa jornada”.

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