Após tragédia com menina de 11 anos, Kartódromo é interditado

A menor A.G.M.F estava na companhia do pai no local quando, ao andar de kart, teve todo o seu couro cabeludo arrancado pela engrenagem do motor do veículo

Paulo Roberto Belém

Um acidente trágico ocorrido no Kartódromo chamou a atenção de todos os anapolinos nesta semana. O que era para ser mais um dia de diversão, tornou-se um pesadelo para a menor A.G.M.F de 11 anos. No domingo, 19, a menor estava na companhia do pai no local quando, ao andar de kart, teve os seus cabelos presos à engrenagem do motor do veículo. Com a força do puxão, a jovem teve todo o seu couro cabeludo arrancado de forma brusca.

O couro cabeludo da menina ficou preso ao Kart: desrespeito às regras de segurança

Logo após a tragédia, o pai da menor e outras pessoas que estavam no local a socorreram levando-a, por conta própria, para o Hospital Municipal Jamel Cecílio. O diretor técnico da unidade, Leonardo Driessen, disse que a menor recebeu os primeiros atendimentos por volta das 16h30 daquele dia pela equipe do HMJC que era composta, naquele plantão, por dois cirurgiões. O diretor acrescentou que no momento que os profissionais perceberam que o couro cabeludo fragmentado da menina tinha sido deixado enroscado no kart, pediu que os familiares o buscassem no local do acidente.

Menina chegou consciente e falando, afirmou o diretor-técnico do Hospital Municipal, Leonardo Driessen

“A menina chegou consciente, falando, junto com a sua irmã menor, e não relatava estar sentindo dor, mas estava em situação de choque”, afirmou Driessen. Ela recebeu os curativos iniciais ainda na unidade e logo quando o couro cabeludo da garota chegou, ele foi preservado através de limpeza e acondicionamento em gelo. A partir daí, houve a comunicação com a equipe médica do Hospital de Urgências Governador Otávio Lage, em Goiânia, e a menor foi transferida via Samu para ser atendida no local.

Quando chegou no Hugol, foi realizado pela equipe médica o reimplante do couro cabeludo da garota. Em nota, o Hugol informou nesta segunda-feira, 27, que a menor continuava internada na UTI Pediátrica da unidade, em estado regular, mas que estava consciente e respirando espontaneamente.

Causas

Passada a tragédia, pelo menos dois fatores foram atribuídos para a ocorrência do acidente. O primeiro é relacionado à falta do uso, por parte da garota, de equipamentos de segurança essenciais à prática do esporte. Por ela ter cabelos longos, além do uso obrigatório de capacete, macacão e luvas, era necessário ela estar usando a chamada balaclava, que é um gorro que prende os cabelos. Neste caso, este equipamento de segurança evitaria que os cabelos da garota ficassem soltos e arriscados a se prender na engrenagem do kart.

O secretário de Esportes, Victor Emanuel, deve “reinterditar” o espaço para evitar o uso sem autorização

Mas outro ponto levantado é a questão do Kartódromo de Anápolis estampar, logo na sua entrada, a placa indicativa de “Interditado”. O secretário municipal de Esportes, Victor Ribeiro, não quis falar sobre o acidente específico, mas justificou que há muito tempo o espaço tem sido invadido por pessoas não autorizadas. “Infelizmente ocorreu este incidente”, disse, admitindo que alguma medida em relação ao kartódromo deveria ter sido tomada a muito tempo antes. “A gente sabe que lá há muitos anos está parado, mas a gente não sabe o que está acontecendo, se lá está proibido ou não”, afirmou Victor.

Interdição da interdição

O secretário informou que soube do acidente somente na segunda-feira pela manhã. Já as redes sociais, ainda no domingo, foram inflamadas sobre a ocorrência da tragédia, inclusive com a divulgação de fotos. A medida da secretaria foi isolar, de fato, o espaço do kartódromo com cadeado nos portões e colocação de obstáculos no circuito. “Por princípio de segurança, decidimos fechar”, destacou o secretário.

Obstáculos foram colocados no circuito

Ainda na segunda-feira, 20, a Prefeitura havia informado através de nota que o Kartódromo Internacional de Anápolis estava liberado para uso, apenas por atletas federados mediante requisição e agendamento feitos na própria Secretaria e que sobre o caso de domingo, nem o pai e nem a criança tinham essa autorização.

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