Carlos Toledo: “Temos uma quantidade deficitária de somente 38 agentes trabalhando”

Felipe Homsi e Paulo Roberto Belém

Apesar de não ter qualquer experiência na área de trânsito e transporte, o presidente da CMTT, Carlos César Toledo, afirma possuir uma bagagem empresarial que o permite conduzir a Companhia “de maneira eficaz e inovadora”. Mesmo a pouco menos de completar 100 dias à frente da CMTT, Toledo já fala em legado: segundo ele, sua intenção é deixar “uma marca de gestão e tecnologia” à frente da CMTT. Para atingir este patamar, o diretor fala em implantar ações modernizantes, como a Área Azul Digital, além de um sistema eletrônico para o controle do transporte coletivo. Já no início da sua gestão, Toledo se viu em uma polêmica, quando ganhou a imprensa o fato de ter dezenas de multas vencidas e não quitadas e a sua carteira de habilitação vencida. O documento, conforme informou, está regularizado e ele assegura que o fato nada tem a ver com sua capacidade de gestão do órgão de trânsito.

A Voz de Anápolis – Você já atuou na área do trânsito ou é um desafio?

Carlos César Toledo – Eu sempre atuei na área empresarial, já tinha tido uma experiência pública. Fui superintendente de comércio exterior da Secretaria de Indústria e Comércio no Governo Marconi. Fui chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Goiânia, quando o Iris foi prefeito em 2004. Então eu já tinha uma experiência pública, mas não na área de trânsito. Quando o prefeito me convidou em dezembro, passei a estudar muito sobre o assunto e percebi uma grande oportunidade de trabalho na CMTT.

 

AVA – Quando você chegou, qual era a situação do órgão quanto à organização?

CCT – Existem três temas que a CMTT deve atuar de maneira conjunta, a Educação, a Engenharia e a Fiscalização. A sociedade tinha uma percepção muito em cima da fiscalização e pouca percepção da engenharia e educação. O desafio nosso é equilibrar estes três temas. Percebi também a importância de integrar os departamentos internos, que conversavam pouco. Tomei uma decisão extremamente relevante e iniciei o processo de implantação o ISO 9001 aqui na CMTT. Vai trazer a padronização aqui dentro para poder harmonizar os departamentos e trazer excelência no atendimento para a população. O prefeito gostou muito da ideia.

AVA – Você falou para os fiscais de trânsito de que antes de multar é preciso orientar? Isto está sendo cumprido?

Veja. Existe a questão legal. O fiscal não pode se deparar com uma infração ou com um ato de ilegalidade e não exercer a multa. Não cabe a eles fazerem isto. O que eu disse e o que eu digo é que a educação para o trânsito deve caminhar junto ou até mesmo anteceder a fiscalização e a multa. Em uma rua com muito carro parando em cima da calçada, eu envio uma equipe para orientar as pessoas e depois a fiscalização vai exercer o papel dela.

AVA – Em relação à fiscalização, ela é completa ou deficitária quanto ao número de agentes?

CCT – Em relação ao número de agentes, eu considero deficitária. Nós temos 38 agentes trabalhando. Existe um estudo que diz o seguinte: o ideal é que para cada mil veículos se tenha um fiscal. Nós temos 259 mil veículos em Anápolis. Por essa conta nós teríamos que ter 259 fiscais para uma atuação perfeita. Está muito longe do ideal. Mas eu ressalto que estes 38 fiscais que aí estão são extremamente competentes, se desdobram para fazer o trabalho, se atualizam. Esses 38 têm trabalhado da maneira como eles conseguem. Agora existem medidas aqui da CMTT. Eu disse o seguinte: ‘se a gente pudesse resumir em duas palavras qual é a marca que eu quero deixar aqui na CMTT, é a gestão e a tecnologia’. A tecnologia que nós estamos trazendo, como da zona azul digital, em fase final nos estudos para podermos implantar, no centro e ampliarmos para outros locais da cidade. Isso vai dar uma folga maior para os fiscais, eles vão poder se dedicar mais a outros temas, porque nós vamos ter todo o processo feito de maneira digital. Vai exigir menos a presença física do fiscal.

AVA – Já que tocou neste projeto, quais são seus projetos a curto prazo?

Vamos chamar de curto prazo e médio prazo. Os projetos que estão avançados são a área azul digital. Vamos ampliar no centro e colocar em outros pontos da cidade, como no Jundiaí e na Jaiara. Outro processo que está avançado é a homologação de uma tecnologia para instalação nos ônibus de um software. Aqui na CMTT eu vou ter um painel em tempo real. Todas as linhas, todos os ônibus transitando na cidade eu vou saber se está cumprindo horário, se atrasou. Vamos poder fiscalizar de verdade o serviço de transporte coletivo na cidade. E o usuário vai ter um aplicativo simples e gratuito em que ele vai clicar e ver em tempo real aquela linha, aquele ônibus, que hora vai chegar ao ponto.

AVA – Como vai ser o pagamento da área azul digital?

CCT – Isto ainda vai ser definido. Vão haver três tipos de venda via aplicativo. A pessoa entra no aplicativo e adquire o crédito. Para tantas vagas, você tem um parquímetro, em que a pessoa adquire com moedas. E pontos de venda, nas lojas. Junto com o CDL, vamos fazer um termo de cooperação em que as lojas serão pontos de venda da zona azul digital. A intenção da zona azul digital é a rotatividade do estacionamento. Nós precisamos, de fato, que as pessoas, ao estacionarem, fiquem o tempo necessário e saírem do local. O digital funciona por isso. Vencidas as horas, a pessoa, mesmo que tenha adquirido cinquenta reais de crédito, ela tem que sair daquela vaga.

AVA – O anapolino é muito imprudente?

CCT – É. Uma coisa que me chamou a atenção foi a campanha de volta às aulas, na porta das escolas. Nós fomos para lá – inclusive o prefeito participou – e eu percebi a maneira como os pais deixavam as crianças nas escolas. Deixou a gente um pouco assustado.

AVA – E quais são as principais infrações?

Tem as barreiras eletrônicas, que hoje são a maioria. Mas todas essas outras também. Eu diria que existe hoje um equilíbrio nesta questão, com destaque para as barreiras. Precisa ser observada a questão da barreira eletrônica na segurança. Este é um tema novo, que nós vamos anunciar nos próximos dias, que as barreiras eletrônicas passam a trabalhar também como um cinturão de segurança na cidade. Não todas, mas a maioria delas tem um sistema de OCR (Optical Character Recognition) que faz a leitura de placa, independentemente da velocidade em que o carro passa. Semana passada chegou para nós uma ocorrência de placa clonada. Em três dias, nós conseguimos apreender o veículo. Montamos uma operação com a Polícia Militar e o apreendemos. A população precisa entender que o radar não é apenas para multar, é para segurança também.

AVA – Qual é o número de pardais em Anápolis e existe a perspectiva de ampliação da quantidade?

CCT – Esse estudo vai ser feito no momento da nova licitação. Não existe prerrogativa para ampliar o número. O que podemos é remanejar. Para aumentar, só quando formos fazer a nova licitação. São em torno de 100 barreiras eletrônicas e “furões”. E são aproximadamente 20 radares que permitem o uso da tecnologia OCR.

AVA – O UBER está funcionando há quase dois meses. Como está o funcionamento e quais têm sido as providências quanto à regulamentação?

Definimos elaborar um escopo de projeto de lei para regulamentar o UBER. A possibilidade de proibição não existe e nem é o desejo da população. Precisamos proteger os taxistas e moto-taxistas, que passam por um processo aqui na CMTT para poder operar. Temos que regulamentar o UBER e proteger os taxistas e moto-taxista. E, em última análise, atender à população. Nós não podemos também deixar a população insatisfeita. Eu defendo que o UBER tem que ser identificado, para a segurança da população.

AVA – O trânsito sofrerá um desvio por conta das obras do viaduto. Como você avalia o impacto disso?

CCT – Não tem saída. Tem que ser feito isso para concluir a obra (do viaduto da Av. Brasil). Dizer para você que não tem impacto, é claro tem impacto. Que não tem desgaste, mas tem desgaste. Qualquer intervenção que se faça, tem impacto. Tem que concluir estas obras e virar esta página. Na sexta-feira a noite, foi fechado este trecho que vai na Brasil com a Goiás e pega um pouco mais na frente. Este trecho também vai ser interditado. A previsão é de 60 dias de interdição para conclusão final dessas obras e para que possa liberar essa obra deste viaduto. Esses desvios foram feitos por técnicos, já contemplando os ônibus. Não existe outra forma, precisa fazer. O que queremos fazer é dar celeridade e terminar o mais rápido possível.

AVA – Os recursos da CMTT são somente das multas?

CCT – Nós temos duas fontes de recursos. Uma vem das multas, que é uma conta específica e é uma verba carimbada, que pode ser usada para engenharia, educação para o trânsito e fiscalização. E nós temos uma outra fonte de recurso, proveniente de 1% do faturamento da URBAN.

AVA – Teve uma questão polêmica envolvendo sua CNH vencida e multas também. Inclusive, você não teve a oportunidade de se explicar completamente. Hoje, como está esta questão?

CCT – Até agradeço a oportunidade de falar sobre isso. Apesar de considerar uma questão privada e particular, que não tem nada a ver com a gestão do órgão, mas hoje a situação é completamente regularizada. Tudo regularizado, com ela em dia, todos os tributos resolvidos. Então, não tem nenhuma pendência, está completamente regularizado.

AVA – Esta questão do BRT fora das áreas do viaduto, como está este projeto?

CCT – Isso é um tema interessante. Não existe BRT em Anápolis. Existem os corredores. Porque, quando se fala em BRT, existe uma série de requisitos, como por exemplo, a separação do ônibus com o carro por meio de uma barreira física, a exemplo do eixo Anhanguera, em Goiânia. Os corredores estão avançados, mas faltam algumas definições. Existe também a questão de semáforo. Hoje, existem tecnologias para os semáforos que fazem uma ligação com o fluxo de trânsito. Ele entende o fluxo, faz a leitura, e modifica para melhorar o trânsito. Os corredores estão andando. Tem a questão dos semáforos. Nós não temos equipe suficiente na CMTT, então estamos estudando a maneira de fazer isso. Outro tema é o plano de mobilidade urbana, que nós não temos. Isso é grave, inclusive para buscarmos recursos federais. Não foi feito na gestão anterior.

Foi feito parcialmente e, assim que eu cheguei, pedi um levantamento. Eu recebi de informação que ele era inconsistente, incompleto e que ele não tinha condição de ser publicado. É outro tema que estamos conversando, para poder retomar este plano de mobilidade. Talvez leve um ano para acontecer. Mas nós temos que ter este plano finalizado. Temos a orientação do prefeito para seguir a contratação, para ser feito este plano de mobilidade urbana e estarmos adimplentes para buscarmos recursos federais. O plano de mobilidade é como se fosse um plano diretor, só que para a questão do trânsito e transporte.

 

 

Notícias Relacionadas