Custo de vida: Afinal, Anápolis é uma cidade barata de se viver?

Informação publicada pelo site Yahoo diz que Anápolis está entre as 10 cidades brasileiras que tem o menor custo de vida no Brasil: A Voz de Anápolis foi a campo e ouviu quem mora aqui vindo de outra cidade e especialistas que fazem uma avaliação ampla do assunto

Paulo Roberto Belém

Uma publicação recente do site de notícias Yahoo, que tem repercussão nacional, divulgou em sua editoria “Vida e Estilo” que Anápolis está entre as 10 cidades brasileiras que tem o menor custo de vida no Brasil. De acordo com o portal de notícias, esta informação foi extraída de outro site – o “Custo de Vida” – que lista as cidades mais caras e mais baratas do país através da avaliação dos preços pagos em itens inseridos em diversas categorias, a exemplo do gasto com alimentação, transporte, moradia, educação e outros ligados ao lazer.

O Yahoo faz a propaganda da cidade alegando que com 370 mil habitantes e a apenas 50 km da cidade de Goiânia, capital de Goiás, “Anápolis é a terceira maior do estado e oferece excelente infraestrutura para seus moradores”. A publicação também destaca o polo industrial do ramo farmacêutico e diz que a cidade alia qualidade de vida com custos baixos. Mas, afinal, você de Anápolis, recém-chegado ou não, endossa a informação de que morar em Anápolis é barato?

De fora

A vigilante Juliana Albuquerque integra o grupo dos que escolheram a cidade para morar. Ela veio de Cuiabá (MT). “Apesar de ser uma capital, aqui tem características parecidas com as de lá”, disse ela, que veio acompanhada de seus três filhos há cinco anos, confessando ter sido atraída pelas oportunidades do polo industrial.

Juliana adiantou que já tinha uma ideia de como era Anápolis em relação a custo de vida antes de morar aqui, por ter residido em Brasília na adolescência e já ter visitado a cidade antes. “Anápolis tem mais redes de supermercados do que lá, por exemplo. A moradia aqui é mais cara, mas alimentação, transporte, lazer e serviços como água e luz são mais em conta”, comparou.

Vinda de Cuiabá e morando em Anápolis há cinco anos, Juliana Albuquerque confirma custo de vida mais baixo

Fatores

Quem explica as informações consideradas para se avaliar o “custo de vida” de uma cidade é o economista e mestre em desenvolvimento Econômico, Márcio Dourado. O especialista explica que o custo de vida é feito por uma analogia com outros indicativos como a renda. “Em Anápolis, por exemplo, os salários são baixos e esse dado faz com que o nível de preços agregados seja mais baixo de que outros municípios que se têm remuneração mais alta”, exemplifica.

O economista mestre em desenvolvimento Econômico, Márcio Dourado, explica que o custo de vida é caracterizado por questões regionais

Nessa linha, ele cita o exemplo dos salários de operários de indústrias automotivas. “Em Anápolis, o salário inicial para este trabalhador é de R$ 1,6 mil. No ABC paulista, é de R$ 3,8 mil”, pontua, complementando que isso não significa que o operário de São Paulo ganha muito mais do que o de Anápolis. “Para manter o custo de vida de São Paulo, é como se eles ganhassem praticamente a mesma coisa, tendo que pagar moradia, transporte e alimentação”, avalia.

Um dos componentes citados e que interferem na elaboração do custo de vida de uma cidade é o da alimentação. Uma pesquisa recente elaborada pela pós doutora em Economia pela UNB, Joana Bardella, aponta que o apanhado de preços dos itens essenciais da cesta básica são mais em conta, considerando o Ipca. “Em Anápolis, a inflação anual média da cesta básica ficou em torno de – 0,62% e o custo total do produto apresentou queda de 7,38%”, sustenta.

Pós doutora em economia, Joana Bardella fez pesquisa que indica que cesta básica em Anápolis é mais em conta

Bardella complementa que os gastos com alimentação é só um dos indicativos para se aferir o custo de vida de uma cidade, mas que devem ser levados em conta outros itens de comparação. Entre eles, saúde, transporte, moradia, educação, vestuário e lazer. “Estes também devem ser considerados”, conclui.

Migração

A socióloga especialista em Políticas Públicas, Simei Pereira, acredita que a informação de que Anápolis tem um baixo custo de vida atrai um grupo específico de novos moradores para a cidade, pautado pela questão econômica. “Pessoas de camadas mais pobres se preocupam com a questão econômica, com baixo custo de vida. Mas se for pessoas de classes mais altas, elas avaliam, por exemplo, a segurança, a infraestrutura, a cultura, o lazer”, cita.

Especialista em Políticas Públicas, a socióloga Simei Pereira analisa processo de migração causado pelo baixo custo de vida

A especialista não enxerga muitos benefícios nesta afirmação. “Talvez melhore a autoestima das pessoas que com um custo de vida baixo, por exemplo, pode frequentar um shopping, participar de uma vida mais social”, levanta. Na outra via, ela cita como prejuízo a questão da migração. “Quando se dá publicidade para este tipo de informação, pode haver grande migração para Anápolis, um inchamento. E isso demanda investimentos em infraestrutura”, pontua.

É justamente no quesito “qualidade de vida” que o economista Márcio Dourado faz uma consideração. “Se a gente tivesse um custo de vida baixo e uma renda alta, nós teríamos maior qualidade de vida. Só que em contrapartida ao custo de vida baixo, a renda média é mais baixa”, explica.

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