Dilemas de cidade grande e um sistema de transporte cheio de desafios

Usuários e profissionais dos três principais meios de transporte em quatro rodas do município – os que mais interferem no trânsito – relatam experiências e defendem suas plataformas em uma cidade que cresce em distância e em demandas

Felipe Homsi

Com população estimada em 375.142 pessoas, Anápolis ainda é vista por muitos – sejam anapolinos ou goianos de outras regiões – como uma cidade do interior. A realidade, no entanto, reserva a Anápolis características e problemas de megalópole, com desafios estruturais no trânsito que se encontram em diversas outras cidades movimentadas do mundo. Buzinas, engarrafamentos, construções que paralisam o tráfego e demais transtornos que podem, sim, ser comparados com aqueles encontrados em outros lugares do planeta.

No meio deste furacão, que inclui ainda acidentes de veículos, falta de planejamento urbano e ainda falhas no sistema de sinalização, escolher o meio de transporte correto pode fazer a diferença na hora de ir de um canto a outro. É nessa hora que os passageiros, principais interessados, optam pelo veículo que seja o mais rápido, econômico e que se desloque com facilidade para qualquer canto de Anápolis. Uma enquete realizada com passageiros de Uber, táxi e ônibus da cidade e com representantes destes meios foi feita.

Para os passageiros, bastava responder o porquê de escolherem tal transporte. Para os motoristas e demais representantes do setor, foi preciso defender o seu sistema de condução de passageiros e convencer sobre os motivos de escolhê-lo. Manoel Florenço tem 24 anos e é analista de Marketing Digital. Apesar de não ser a solução mais rápida, o ônibus é a saída “mais cômoda”, por ter um preço menor. E já que não tem carteira de motorista, o jeito é se virar no ‘busão’. E com o estabelecimento do Passe Livre Estudantil, a situação para quem escolhe este meio de transporte ficou ainda mais fácil, conforme indicou.

Manoel Florenço elogia a pontualidade, mas reclama da frequência e dos itinerários dos ônibus

Ele critica a frequência e os itinerários dos ônibus, que “não são bem planejados”, mas elogiou a estrutura dos carros. A superlotação é um problema e, apesar da pontualidade, os “coletivos” passam apenas de hora em hora em alguns lugares da cidade. Existem estudos que apontam para o ônibus como um veículo ecologicamente correto, o que o estudante Manoel nega. “O transporte coletivo não te traz este sentimento: ‘eu vou andar de ônibus para reduzir a poluição’. É tão ruim ao ponto de se pensar assim: ‘é melhor eu ter meu carro do que eu ter dor de cabeça todo dia’. Ele, que estuda em uma faculdade no centro da cidade, ainda reclama que a empresa URBAN não atinja todos os setores da cidade. “Não tem ônibus que passa lá perto. Ou eu vou a pé para o terminal, ou eu uso um outro meio de transporte”, ressalta.

Coletivo

O diretor de operações da empresa URBAN, Humberto El Zayek, ressaltou que a companhia “tem por obrigação atender a todos os bairros da cidade por questão contratual. Os outros transportes, tanto o UBER quanto o táxi, eles só vão atender quanto tem interesse econômico”. Conforme constatou, a “cidade por inteiro” é contemplada pelos serviços. Para ele, este meio de transporte é também econômico. “É um serviço público, comprometido com a qualidade do ar, com a poluição visual, com a poluição sonora”, destaca, pontuando que “o ruído dele é quase zero”. Ele visualiza ainda que, “no Plano de Mobilidade Urbana, a saída futuramente nas cidades é o transporte coletivo”.

Para Humberto Zayek, diretor de operações da Urban, os ônibus chegam a todas as regiões da cidade

O gestor do sistema de transporte coletivo local é o poder público, por meio de concessão à empresa Urban. A frota de ônibus da cidade é composta por 200 carros, que trabalham “como se fosse sistema radial”, das quatro horas até meia-noite. Aos sábados e domingos, o funcionamento ocorre da mesma maneira. Por mês, 75 mil passageiros são atendidos. E uma equipe com 800 funcionários atua em jornada de sete horas. Conforme explicou El Zayek, o mesmo carro funciona nos três períodos do dia e a frota é 100% acessível a cadeirantes e demais Pessoas com Deficiência Física. “Uma das frotas mais novas do Centro-Oeste”, evidenciou.

Uber

Letícia Silva Santos tem 22 anos e trabalha como atendente de panificadora. Há dois meses passou a usar a UBER, “porque é mais prático, é mais barato”. “Porque sai mais em conta, é mais rápido, é mais prático”, repete. Ela usa o serviço duas vezes por semana. Para ela, este meio de transporte, que começou a operar na cidade neste ano, é vantajoso para ela nos dias em que sai mais tarde do trabalho. A UBER possui 50 mil motoristas cadastrados em todo o país. São 15 milhões usuários no Brasil, em 65 cidades diferente. No Estado de Goiás, a empresa está presente apenas em Anápolis e Goiânia.

Para Letícia Silva, a Uber é útil nos dias em que precisa sair mais tarde do trabalho

Rodrigo de Bastos é motorista da UBER em Anápolis e se intitula o primeiro do município a se aventurar neste tipo de trabalho. Para ele, a frota de carros e a quantidade de motoristas é a “quantidade ideal para atender à demanda da cidade”. Entre as vantagens, ele cita a economia gerada em cada viagem. E evidencia que, ao contrário do que muitos dizem, a UBER é segura. Cada motorista passa por uma checagem de segurança e os usuários, por meio de um aplicativo, podem verificar os dados e a foto de quem está cadastrado. Pais podem acompanhar as viagens dos seus filhos por meio de um sistema integrado.

Rodrigo de Bastos, motorista da Uber, acredita que este meio de transporte é seguro e barato

Diego relembra que, para ser liberado a dirigir, teve que esperar de sete a quinze dias. “A UBER está presente nos quatro cantos da cidade”, defende, acrescentando que este meio de transporte “veio para dar certo”.

Táxi

Para Manara Baracui Issa, que possui um salão de beleza na cidade, o táxi é um meio de transporte seguro. Todos os dias ela usa o serviço. “Por não ter carro e achar mais seguro do que andar de ônibus, eu tenho optado pelo táxi, por conhecer pessoas já há bastante tempo, que eu sei que são idôneas, pessoas de muita confiança”. “Pela minha segurança, eu acho que vale a pena”, acrescenta. Conforme destacou, ela conhece os motoristas que a conduzem ao trabalho há tempo suficiente para ter uma relação de confiança. Ela destaca ainda que possui ressalvas, mas às vezes usa a Uber. E mencionou que não existe linha de ônibus que faça o percurso da sua casa ao trabalho.

Dona de um salão de beleza, Manara Baracui Issa acredita que o táxi é um meio de transporte seguro

Antônio da Cunha tem 75 anos e há 37 atua como motorista de táxi no ponto da Santa Casa de Misericórdia. Para ele, este veículo “vai na hora certa, chega na hora certa”. “Tem mais segurança e tem mais responsabilidade do motorista”, evidenciou. Cunha menciona que, para ser taxista, é preciso apresentar atestado de bons antecedentes criminais e cumprir uma extensa burocracia junto à Prefeitura Municipal. Ele reclama da presença da UBER no município: “Esse UBER está nos atrapalhando demais. Eu quero só ver no início do ano se eles vão regularizar eles, para pagar o que a gente paga. Porque eles ganham menos do que a gente, mas também não pagam nada. Nós pagamos todo ano”.

Para o taxista Antônio da Cunha, o táxi “vai na hora certa, chega na hora certa”

 

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