Liberação de elevado marca fim da 1ª fase de projeto de mobilidade

Projeto iniciado em 2012, passou por três administrações e começa a apresentar seus primeiros resultados com a abertura de uma das vias elevadas, desafogando o tráfego nos cruzamentos das Avenidas Brasil com Goiás e Barão do Rio Branco

Henrique Morgantini (com Paulo Roberto Belém)

(coloque o crédito das fotos aéreas: Michell Rusta Cardoso)

A primeira e mais emblemática obra do Plano de Mobilidade de Anápolis está concluída e liberada para o uso dos condutores que precisam cruzar por toda a extensão da cidade no sentido Norte-Sul. O elevado localizado na Avenida Brasil, que passa sobre as Avenidas Barão do Rio Branco e Goiás, foi concluído em sua passagem superior e seu acesso liberado na última terça-feira (08).

O elevado sobre as Avenidas Goiás e Barão do Rio Branco: construção de um projeto iniciado desde 2012 e que atravessou três gestões até a sua conclusão: mais lógica e segurança no tráfego

A permissão para o tráfego causa um alívio nos condutores, mas a obra ainda não foi concluída, uma vez que o vão entre as duas avenidas segue interditado, bem como parte do acesso do cruzamento da Avenida Goiás, sentido Jundiaí-Centro. Ainda assim, a abertura da via elevada é um marco histórico que representa a maior intervenção em infraestrutura já realizada na cidade, através de um programa de modernização das cidades, promovido pelo Governo Federal ao qual a cidade se credenciou em 2012.

O projeto não é novo e passou por duas administrações até passar pela sua conclusão no último dia 08. Foi iniciado pelo Governo Antônio Gomide em 2012, quando a cidade se credenciou, apresentou proposta e foi credenciada para participar do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – na modalidade “Mobilidade Médias Cidades”. “O compromisso do Governo Federal em promover modernizações na lógica do trânsito e no processo de mobilidade nas cidades brasileiras fez toda a diferença em Anápolis”, recorda o ex-prefeito e hoje vereador Antônio Gomide.

No ano seguinte, foi realizada a apresentação oficial do primeiro projeto e ao longo de todo 2013 diversas etapas de uma exaustiva agenda burocrática aconteceram a fim de assegurar os recursos para a obra. Isto porque, ao contrário do padrão normal de realização das obras, em que o dinheiro investido depende da programação da Prefeitura e do fluxo de Caixa, a obra do PAC Mobilidade tem a verba já garantida por meio de empréstimo pela Caixa Econômica Federal. Este é um dos principais motivos que garantiram que a obra, desde o seu lançamento, jamais ficasse parada.

Início

Ao um custo total de R$ 74 milhões, o projeto de mobilidade é amplo e corta a cidade em intervenções no trânsito com o objetivo de gerar mais facilidade, rapidez e segurança no fluxo do tráfego. Somente em 2014, já sob a gestão de João Gomes, é que tornou-se possível materializar o processo de inscrição e credenciamento. Em Outubro daquele ano, foi assinado com a Caixa Econô-mica Federal, através do Ministério das Cidades, o contrato para a realização da obra.

Em agosto do ano seguinte, portanto, dois anos antes de passar o primeiro carro sobre o elevado, foi realizada a assinatura do contrato para elabora-ção e execução da obra com a empresa vencedora da licita-ção, o conglomerado Jofege. E, após este evento, a obra come- çou a ser executada, em 04 de agosto de 2015.

Conforme o planejamento, nas avenidas Brasil Norte e Sul e Universitária, seriam implantados corredores exclusivos para o transporte público. Já nas avenidas Pedro Ludovico, Presidente Kennedy, Fernando Costa, São Francisco e JK, seriam adaptados corredores preferenciais. Somente na construção dos dois viadutos – sobre a Goiás e a Barão e sobre a Rua Amazílio Lino – foram investidos mais de R$ 25 milhões deste total.

 

Outra etapa que também está prevista no projeto e sob a responsabilidade da atual gestão de Roberto Naves para efetivamente acontecer são as construções dos corredores de ônibus. O trecho se concentra na Avenida Pedro Ludovico e JK e faz parte dos 47 quilômetros de corredores exclusivos e preferenciais para o transporte coletivo. O trecho da Avenida São Francisco já foi concluído. As avenidas Presidente Kennedy e Brasil também serão contempladas.

“Obra nunca parou porque recursos nunca atrasaram” comemora representante de empresa

 Giovanni Lucena é engenheiro residente e representante da Jofege pela obra que está em fase final de conclusão na região central de Anápolis. O técnico acompanhou o processo de início das obras desde o seu lançamento em 2015 e garante que o saldo do projeto é positivo, sobretudo por ter sido entregue em “tempo hábil”

Engenheiro que acompanhou as intervenções e representante da empresa comemora obra: dentro do prazo e sem interrupções já que “dinheiro estava na conta”

“Fora a interferência que tivemos relacionada à questão da remoção das adutoras, finalizamos este elevado em 18 meses, conforme o nosso planejamento”, apontou. O engenheiro se refere a um problema que marcou a obra quando da perfuração do solo para a instalação da base do elevado, quando foram atingidas adutoras de abastecimento da água da Saneago. À época, técnicos do Conselho Regional de Engenharia atestaram que houve uma informação repassada de forma equivocada nas plantas fornecidas da Saneago. O problema, no entanto, não foi de responsabilidade da estatal. “Trata-se de um documento datado de 1960 e por isto houve este engano nas marcações”, explicou Firelenio Fraga, responsável pela análise do CREA, em janeiro deste ano. As diferenças apresentadas no mapa e as encontradas na obra chegaram a até 15 metros de diferença.

Quantos aos repasses das verbas, Giovanni destaca que foi um diferencial para a conclusão dentro do prazo, uma vez que nunca ocorreram atrasos. “Os recursos nunca deixaram de ser repassados. Até porque são recursos que caem direto da Caixa conforme as medições eram realizadas”, confirmou Lucena.

Secretário de Obras aponta próximas etapas das intervenções de Mobilidade

O secretário municipal de Obras, Vinicius Sousa, atesta a qualidade das etapas da obra observadas por ele. “Só não acompanhei as fundações, mas o resto está 100%”, disse. Ele já programa as próximas fases do plano de mobilidade para a cidade.

“Agora, já foram iniciadas as intervenções pela abertura de uma terceira faixa na Avenida Brasil Norte no trecho que vai do viaduto Nelson Mandela até o viaduto da BR-414 nos dois sentidos e uma outra pela restruturação das galerias de águas pluviais da Avenida JK e posterior recuperação asfáltica da via”, explica

“Todas estas obras também estão asseguradas no pacote das obras de mobilidade”, comentou Sousa, durante evento de abertura da via elevada. Quem estava em clima de festa no mesmo evento era o prefeito Roberto Naves. Responsável pela fase final da parte superior do elevado e ainda com a missão de finalizar a obra por completo em sua parte inferior, incluindo o estacionamento coberto no vão das avenidas, ele explicou que a liberação é apenas uma etapa. “As vias paralelas a esse viaduto ainda sofrerão intervenções”, justificou.

Empresa anuncia liberação de segundo elevado em setembro, mas prefeito indica mais 30 dias para conclusão: 30 de outubro

Sobre a entrega do segundo viaduto que faz parte do pacote de obras, o do cruzamento com a Rua Amazílio Lino, bem como a recuperação das demais vias que incluem o projeto, Naves disse que a empresa sugeriu a data de 30 de setembro. “Por cautela, coloco mais um mês. Então, acredito que em 30 de outubro tudo estará pronto”, afirmou.

Idealizadora do projeto em 2012 faz alerta para “mudança de prioridade”

Quando surgiu a ideia de Anápolis pleitear o financiamento para a execução das obras de mobilidade, uma das responsáveis pela elaboração do projeto foi a arquiteta e urbanista Fernanda Mendonça que à época, em julho de 2012, trabalhava na área de transportes da Companhia Municipal de Trânsito e Transportes. Em fase de conclusão de seu doutorado em Transportes, ela é conhecedora do projeto inicial que teve respaldo do Ministério das Cidades para ser executado. “O projeto, que inclui os viadutos, foi pensado para beneficiar o transporte coletivo e isto significa facilitar a vida das pessoas, sejam usuárias do sistema ou mesmo condutores de veículos”, explicou.

A especialista em Transporte Fernanda Mendonça frisa que projeto deve ser tocado em sua totalidade: se não a Mobilidade não acontece

Com essa ideia, a arquiteta salienta que todas as intervenções que compreendem o projeto inicial foram pensadas pela estruturação das vias da cidade para que, posteriormente, fosse implementado um novo sistema de transporte que fosse viabilizado por essas intervenções, quando finalizadas. “Por isso que um conjunto de obras foi realizado simultaneamente, até o final do ano passado, quando ainda estava na CMTT”, disse.

Preocupação

A especialista chama a atenção, no entanto, para o que classifica como uma mudança de estratégia que foi realizada com a troca da gestão. “Foi dado prioridade aos viadutos e o que aconteceu? Um deles ficou pronto, o outro caminha para ser entregue e o resto do projeto que é fundamental para executar a Mobilidade de fato, parou”, citou

Ela se refere às demais intervenções que foram realizadas até o ano passado, a exemplo do corredor de transporte e estações que estavam sendo construídas ao longo da Avenida Brasil Sul e a instalação de pavimentos rígidos nas paradas de ônibus das demais vias da cidade que compreendem as obras de mobilidade, a exemplo da Avenida Presidente Kennedy. “Lá, inclusive, o modelo de estação avançada para a via chegou a ser construída, e foi a única”, lamenta.

Modelo único de estação avançada que ainda não foi priorizado para ser repetido em outros pontos da cidade

Mendonça alertou sobre a necessidade de ser viabilizada a integralidade do projeto, justificando, principalmente os prejuízos financeiros se esta deixar de ser realizada. “Todas as partes de concreto das vias (pavimentos rígidos) já foram feitas, em todos os corredores: Pedro Ludovico, Fernando Costa/Presidente Kennedy e Jk/São Francisco. Se não for usado para o fim que foi proposto, vai se perder”, disse.

Outra parte preocupante e que a arquiteta chama a atenção para não ser esquecida diz respeito ao centro da cidade. “Consta do projeto inicial um tratamento diferenciado para as vias de fluxo de ônibus da região central e isso não se tem ouvido falar mais. Isso é preocupante”, avalia.

Cronograma do Plano de Mobilidade: do projeto à obra

19/07/2012 – Instituição do processo de seleção e diretrizes do PAC 2 – Mobilidade Médias Cidades;

30/08/2012 – Cadastro da proposta no Ministério das Cidades

22/10/2012 – Reunião técnica para a apresentação da Proposta Técnica para o Ministério das Cidades

03/02/2013 – Apresentação do projeto ao Município de Anápolis

31/07/2013 – Primeira apresentação de documentos à Secretaria do Tesouro Nacional – STN

26/08/2013 – Lei Complementar n. 307 – Autoriza o município a contratar financiamento com a Caixa para a realização da obra

04/09/2013 – Lançamento do edital para elaboração do Anteprojeto dos Corredores de Transporte de Anápolis

10/09/2013 – Retorno da documentação ao STN

24/10/2014 – Assinatura do contrato para a realização da obra

04/08/2015 – Assinatura do contrato para elaboração e execução da obra – Jofege

04/08/2015 – Início da obra

08/08/2017 – Liberação do tráfego do primeiro viaduto

População comemora conclusão parcial, mas cobra agilidade na conclusão de projeto

 Os usuários do sistema de trânsito de Anápolis deram a sua avaliação pessoal sobre o plano de mobilidade, bem como os benefícios vindo da liberação da via após quase dois anos de obras.

 Antônio Heli de Oliveira

“Acho que a liberação desse viaduto foi a melhor coisa que eles fizeram para o trânsito de Anápolis. Agora, o que falta é eles terminarem essa parte de acabamento ao redor da obra e, claro, o outro viaduto que está em construção mais à frente”.

 Leandro José da Silva

“Pensando pelo projeto que fez com que ele fosse construído, pensando na questão da mobilidade, considero ter sido importante a liberação, sim. Provavelmente, o trânsito vai melhorar. Esse deslocamento norte sul vai ficar mais rápido e acredito, inclusive, que os condutores que antes percorriam as rodovias para esse trajeto, vão usar esta via principal da cidade. Mas é importante que terminem o restante das obras, principalmente o outro viaduto que fica logo ali”.

 

Paulo Ricardo Lopes

“Acompanhei esta obra desde o início e acredito que ele vai surtir algum resultado benéfico para o trânsito da cidade. Mas eu acho que está faltando é eles adequarem a sinalização e a fiscalização. Do jeito que está, os condutores vão exagerar na velocidade. Outro ponto que precisa ser revisto é esse semáforo para quem vai subir a Avenida Goiás sentido Centro ou Jundiaí”.

 

Robert Braga

“Na minha opinião, esse viaduto foi uma obra desnecessária. Isso porque alivia o trânsito da Avenida Brasil, mas se for para acessar a Avenida Goiás, os congestionamentos continuarão acontecendo. Mas já que está aí, eu acredito que precisa ser feito um estudo melhor para que resolvam esses congestionamentos”.

 

Thaíza de Lima

“Prefiro aguardar para ver se vai surtir alguma melhoria no que diz respeito à mobilidade. Se ficar bom para o trânsito nesse ponto, eu acredito ter sido importante a liberação porque, até então, não vi muito resultado para quem vem desse lado de cima (Avenida Goiás sentido bairro-centro e vice-versa). Acho que o semáforo tem que ser revisto”.

 

Zuleika Marques

“Considero o viaduto necessário, mas eu não sei, ainda, se será tão importante assim. Agora, se elaborarem uma forma de coibir esse congestionamento para quem trafega pela Avenida Goiás, seria ótimo. O trânsito tem que fluir”.

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