‘Não temos motivo para pânico, mas para preocupação e prevenção’, diz enfermeira sobre o H1N1

A preocupação gerada pela incidência da gripe A/H1N1 em Anápolis antes mesmo do período mais frio do ano gerou pânico em Anápolis, até mesmo com a criação de boatos que se espalharam pelas mídias sociais. O que se sabe até o momento é que três pessoas tiveram diagnóstico para a Gripe A/H1N1, sendo que um homem morreu nesta semana no Huana. Em anos anteriores, os casos mais graves foram identificados nas proximidades de julho.

Apesar do quadro, Maria Sônia Pereira, enfermeira coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Evangélico Goiano, explicou que o pavor em torno da doença não é necessário, e sim medidas que possam servir como fator de prevenção. “Eu entendo que nós não temos motivo para pânico, porque nós não estamos em um surto em Anápolis, mas nós temos motivos para preocupação e prevenção. Temos que notificar todos os casos que chegam, temos que tentar evitar locais com grande aglomeração de pessoas, tentar evitar locais muito fechados, sem corrente de ar, sem ventilação e utilizar a máscara com a devida adequação”, explicou.

Medidas como o uso de máscaras podem ser mais prejudiciais do que benéficas, já que “com duas horas a máscara está saturada”. Para quem não temo vírus alojado no corpo e insiste no uso de máscaras, existe o risco de que o ambiente úmido do rosto provoque a concentração dos vírus e o desenvolvimento da Gripe A. O padrão para prevenção ideal da proliferação do H1N1 continua sendo a higienização das mãos, boa hidratação, boa alimentação. Para quem tem doenças respiratórias ou patologias crônicas, o ideal é evitar lugares públicos com grande aglomeração de pessoas, mesmo que não manifestem os sintomas.

De acordo com a enfermeira Maria Sônia Pereira, “a partícula que carrega o vírus é densa e não fica suspensa, mas permanece impregnada em maçanetas, bancadas, suportes e bancos de ônibus, onde as pessoas manuseiam mais. Então é importante a orientação da população para a higienização das mãos”. Em caso de isolamento, as portas dos quartos dos pacientes infectados como vírus não são fechadas, pois a partícula é muito densa para se espalhar pelo ar.

Mesmo que se trate apenas de uma gripe comum, o protocolo de atendimento para pacientes com suspeita de H1N1 orienta que seja feita a coleta de amostra biológica do paciente; a Vigilância Sanitária deverá ser informada e o tratamento é iniciado mesmo antes da confirmação, geralmente com o uso do medicamento Tamiflu. “Este tratamento, que dura cinco dias, é ajustado pelo infectologista. Enquanto isso o paciente fica em isolamento ou precaução respiratória para gotículas”, destacou a enfermeira Maria Sônia.

Quando o tratamento é concluído, o paciente recebe alta e vai para casa. Se em três a quatro dias os sintomas não voltarem e ele não tiver mais “critério de internação”, poderá continuar como uso do Tamiflu fora do hospital. Os profissionais de saúde que têm contato direto com o paciente precisam usar máscara comum.

Por via das dúvidas, o melhor é procurar atendimento médico. “Apresentou sinais, prostração, febre alta, dor no corpo – não só nas articulações e nas juntas – o pronto-socorro deve ser procurado. Em alguns casos, coriza, nariz escorrendo, água branca, além de um desconforto respiratório muito grande em um período de tempo muito curto”, explicou Maria Sônia Pereira, enfermeira coordenadora da Comissão Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Evangélico Goiano.

Ambiente hospitalar

As unidades de saúde em Anápolis tomam medidas de precaução para evitar a proliferação do vírus H1N1. “Nós trabalhamos sempre orientando as equipes, que são a porta de entrada na triagem e no acolhimento, a fazerem uso da precaução padrão, que é o uso de máscara na presença de prováveis sintomas – tosse, histórico de febre alta, nariz escorrendo, dor no corpo, fadiga, prostração e piora do quadro respiratório subitamente, entre outros”, explicou Maria Sônia. Bancadas, corrimãos, maçanetas e demais superfícies são higienizadas e são disponibilizados dispensers de álcool em gel para uso da equipe.

Os profissionais do pronto-socorro são orientados conforme protocolos do Ministério da Saúde e Secretaria Estadual de Saúde. São feitos tratamentos, palestras e reciclagem de todos os que atuam junto ao público. O objetivo é a prevenção, o reconhecimento precoce dos sintomas e o início do tratamento em tempo adequado. “O objetivo é saber se o vírus é proveniente da nossa região ou de outros estados e cidades. As medidas de contenção e isolamento evitam que o vírus se propague para outros pacientes”, concluiu Maria Sônia Pereira.

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