Paralização de projetos de Ciência e Tecnologia prejudica comunidade

Felipe Homsi

O ano letivo municipal começou e a vida escolar dos estudantes está a todo vapor, com tarefas, pesquisas e demais atividades que fazem parte da rotina de todo aluno. Apesar desta rotina estabelecida, a área de Ciência e Tecnologia municipal, que tanto contribui para que os estudantes possam se desenvolver, está com vários projetos parados. Outros funcionam parcialmente, aguardando adequações na estrutura, contratação de estagiários e até definições sobre que secretaria vai ficar responsável pelo quê.

Isto porque, desde a reforma administrativa do prefeito Roberto Naves, a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação foi incorporada pela Secretaria Municipal de Gestão e Planejamento. As duas pastas agora correspondem à Secretaria Municipal de Gestão, Planejamento e Tecnologia. Este processo de transição, conforme explicam alguns gestores municipais, explicaria estes quase dois meses de paralisação de alguns locais.

O Planetário Digital 3D e Observatório Astronômico de Anápolis, inaugurado em 2014, ainda na Gestão de Antônio Gomide, é um exemplo de estrutura que ainda não voltou ao pleno funcionamento. O Espaço de Ciência Afins, que promove atividades interativas com estudantes, e os telescópios estão funcionando. Mas a “cereja do bolo”, a cúpula, onde são feitas projeções digitais com espetáculos visuais para até 70 pessoas, está em manutenção.

A Casa Brasil também está parada. Problemas estruturais no prédio explicariam a paralisação no funcionamento. De acordo com a própria Prefeitura Municipal, “a Casa Brasil é um projeto do Ministério de Ciência e Tecnologia, desenvolvido em todo o País, em parceria com entidades e municípios”. O objetivo é levar a áreas de vulnerabilidade social “computadores e conectividade, além de promover ações em tecnologias livres aliadas à cultura, arte, entretenimento, articulação comunitária e participação popular”.

Uma das explicações para o não funcionamento destas unidades, conforme funcionários destes locais, é a falta de estagiários. De acordo com Igo Nascimento, eles estão sendo recontratados e os contratos de estágio já se encontram na Procuradoria do município para sua efetivação. Assim que o projeto estiver estruturado, os estágios começarão, o que facilitará a volta ao funcionamento dos telecentros.

População

Os trabalhos escolares precisam ser feitos, as pesquisas dos alunos demandam internet para a procura de conteúdo extraclasse e o preço nas chamadas lan houses é inacessível para a grande maioria dos alunos da rede pública. Ou seja, tem muitas crianças, adolescentes e jovens simplesmente sem internet, pela falta dos telecentros.

Lino Júnior reclama da falta do telecentro, utilizado para trabalhos escolares e pesquisas

Lino Júnior tem 15 anos e está no 9º ano. Ele usa o telecentro desde os 13 anos. Com a paralisação da unidade no seu setor, o Filostro, ele tem encontrado dificuldades para fazer seus trabalhos e pesquisas de escola, já que “lá não tem internet”. “Agora, tem que ir na lan house, pagar”, diz sobre os únicos locais onde é possível acessar a rede em seu bairro. E, por sua condição social, não consegue pagar por este recurso. No seu caso, o telecentro faz falta.

Isaac lamenta que o telecentro esteja paralisado e aguarda seu retorno para desenvolver atividades escolares

É o caso também de Isaac Pimentel Silva, 13, que está no sexto ano. Suas aulas começam à 07h15 e terminam às 11h45. No contraturno, costumava usar, desde 2012, o telecentro do filostro, “em tudo” de que precisava para complementar as atividades escolares. Ele não possui internet em casa, nem celular. Sua única alternativa, o telecentro. Conforme informou, o professor “pede uma pesquisa na escola. Se for para a lan house, é dois reais, dois e cinquenta (por) uma hora”. Como ele, muitos de seus colegas estão prejudicados.

 

 

 

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