Saúde Municipal fecha as portas em “feriado” e esquece de avisar a pacientes, que ficam sem atendimentos marcados

De acordo com lei municipal, a quinta-feira da Paixão, que antecede ao feriado nacional, é uma data facultativa para o serviço público. A ideia de ser “facultativo” é que determinados setores do poder público podem funcionar e, outros, não. Na Saúde, por exemplo, serviço de Urgência e Emergência não fecham, já os de atendimento de rotina e programados podem reorganizar suas agendas e paralisar, como preconiza a lei.

Acontece que a falta de planejamento pode causar até mesmo nesta simples ação uma tremenda confusão. Foi o caso da Unidade de Saúde Ilion Fleury. Localizada no Bairro Jundiaí, a antiga OSEGO como é conhecida, a unidade é responsável pela realização de exames e da aplicação de vacinas. E, para as dezenas de pessoas que estavam agendadas no dia de hoje, o dia foi de surpresa, decepção e revolta.

Isto porque quem esperava se vacinar ou ser atendido, deu com a cara no portão fechado, com o cadeado passado. A unidade não abriu e a Secretaria de Saúde não avisou a nenhum dos agendados que o local estaria sem atendimento, por conta do feriado.

“A sensação é de humilhação”, disse Pedro Santos que levou o filho para tomar uma série de vacinas programadas. Ele, que perdeu a manhã de trabalho para acompanhar a criança, compartilhou o sentimento de outros tantos. “Fica o desrespeito em nem mesmo nos avisar que estaria fechado”, completou.

Pela manhã, havia pacientes desde o Arco-Verde até o Filostro Machado, passando pela Vila Esperança, próximo ao Daia. Todos se encontraram com a mesma decepção.

Dalva Maria, e a família inteira, ficou sem a vacina que estava agendada na unidade

Dalva Maria (foto), que mora no Residencial Ander, ao lado do bairro de Lourdes, foi até a unidade acompanhada de toda a família. O objetivo era cumprir o que estava agendado: a vacinação contra hepatite para ela e mais três pessoas da família. Ficaram pelo portão. “É um transtorno, porque a gente vem de longe”, se limitou a dizer.

Outra anapolina revoltada foi a dona de casa Maria Elizabeth Soares, de 32 anos. Ela levou a filha, de apenas quatro meses, para tomar a vacina. Depois de acordar às cinco da manhã e tomar dois ônibus, lamentou o grau de “falta de consideração”. “Não é de graça, a gente paga por isto”, reclamou. Maria ainda revelou outro detalhe que a deixou desolada: o fato de que ela teria recebido uma ligação confirmando o atendimento para o dia 29, hoje, mas, ao chegar, ninguém estava lá para atender.

Explicação

Leandro Crozara, diretor da unidade de Saúde Dr. Ilion Fleury, se esquivou da responsabilidade sobre o desgaste com a falta de atendimento na unidade de Saúde.  Crozara afirmou que houve uma “falha na regulação”. O departamento que ele se refere é o responsável por fazer os agendamentos, a distribuição de pacientes e a coordenação de cada um dos compromissos nas unidades.

Mais tarde, às 12h20, via grupo de WhatsApp, o mesmo servidor prestou a seguinte explicação:

“eu mesmo estive lá na unidade e as pessoas que estavam lá para ser atendidos eu como Diretor da unidade , eu remarquei os procedimentos para segunda feira para todos que estava lá juntamente com a equipe de reportagem da São Francisco . As que foram embora já falei ao vivo na radio São Francisco para procurar a unidade que vamos está marcando para todos para a semana que vem . E outra coisa vacina não é agendada pela unidade . Pois cada cartão e aprazado ( que é a data ) que o paciente tem que retornar para tomar a vacina partir da data que foi aprazado . Essa informação não procede que a unidade agendou para essa senhora . Pois já estamos resolvendo para que os pacientes que foram embora seja atendido na semana que vem .”

A reportagem tentou por diversas vezes contato com os responsáveis pelo setor para confirmar a falha apontada por Crozara, mas até o momento segue sem retorno. (A informação pode ser atualizada)

Notícias Relacionadas